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CEDITER

A CEDITER – Comissão Ecumênica dos Direitos da Terra – iniciou suas atividades na fase final do Regime Militar, em janeiro de 1982, quando estava reunido em Feira de Santana o Presbitério do Salvador, concílio que congregava 11 Igrejas da Igreja Presbiteriana Unida do Brasil, no Estado da Bahia (Capital Recôncavo e Sertão). Duas situações exigiam a criação da CEDITER; a) a forte seca de 5 anos que assolava o Nordeste, e, b) graves conflitos de terra, com a presença truculenta dos grileiros que perturbavam pequenos agricultores, membros das Igrejas de Iaçu, na Chapada Diamantina, e de Sítio do Mato, no Médio São Francisco. No começo a sigla CEDITER era traduzida por COMISSÃO EVANGÉLICA DOS DIREITOS DA TERRA, até março de 1998. Desse ano em diante a sigla passou a significar: COMISSÃO ECUMÊNICA DOS DIREITOS DA TERRA, passando a ser uma ONG (Organização Não Governamental). A CEDITER sempre teve uma equipe ecumênica, contando com a participação de presbiterianos, católicos, metodistas e outros.

Podemos dividir a História da CEDITER em 4 períodos:

1º PERÍODO: 1982 a 1984 - Fase inicial de implantação

Foi o início da atuação da CEDITER nas Regiões da Chapada Diamantina e do Vale do Médio São Francisco. Em 1982 houve três ações importantes: a) criação, em Itaberaba, no dia 1º de maio, da AATC (Associação de Apoio aos Trabalhadores da Chapada) que reunia 8 Sindicatos de Trabalhadores Rurais (STRs) com a CEDITER e a CPT (Comissão Pastoral da Terra) da Diocese de Ruy Barbosa, formando assim o primeiro Pólo Sindical da Região. b) no segundo semestre a CEDITER, com o apoio da CESE (Coordenadoria Ecumênica de Serviço) socorreu centenas de famílias que estavam passando fome nas áreas rurais dos municípios de Wagner e Lajedinho. c) A luta contra os grileiros que tomaram as terras doadas pela MPBC (Missão Presbiteriana do Brasil Central) para 92 famílias de pequenos agricultores, em Sítio do Mato. O assessor da CEDITER, naquela Região, começou a receber ameaças de morte feitas pelos capangas dos grileiros, por causa de sua luta em favor das vítimas.
Nessa primeira fase a pequena equipe da CEDITER deu ênfase aos encontros locais e Regionais e à criação de Delegacias Sindicais visando a sensibilização dos trabalhadores (as) rurais sobre a Reforma Agrária e a necessidade e urgência da criação e do fortalecimento das organizações, principalmente dos STRs.

2º PERÍODO: 1984 a 1991 - Criação da sede e novas atuações

A mudança do coordenador da CEDITER, de Wagner para Feira de Santana, ocasionada pela vacância pastoral da então maior Igreja do Presbitério fez com que o escritório central da CEDITER fosse criado nessa cidade, em uma das salas do SIM (Serviço de Integração do Migrante). Por causa dessa mudança a CEDITER passou a ter atuação em mais duas Regiões: Feira de Santana e Recôncavo, em parceria com o STR local, com o MOC (Movimento de Organização Comunitária) e a Diocese católica. A primeira ação importante, em 1985, foi a criação do Projeto Estagiários, em parceria com a Diocese de Feira de Santana e o STR. Foi enviado um pedido de ajuda à CESE, que foi atendido. O principal objetivo do Projeto Estagiários foi convocar estudantes universitários para ajudar na luta em favor da população pobre das margens do Rio Paraguaçu que foi atingida pelo Governo do Estado da Bahia, através da DESENVALE que executou a construção da barragem Pedra do Cavalo, no Recôncavo, quando reassentou, em condições injustas e desumanas mais de mil famílias. Como esse projeto atingiu vários municípios que se situam nas margens da bacia do rio Paraguaçu, foi lançada a semente para a criação do futuro Pólo Sindical dos Trabalhadores Rurais desta Região. Por causa dessa luta a CEDITER ajudou na formação de quatro novos STRs do Recôncavo: Muritiba, Governador Mangabeira, Cabaceiras do Paraguaçu e São Félix.

3º PERÍODO: 1991 a 1998 - Planos Trienais apoiados por PPM, da Alemanha.

Houve uma grande expansão da CEDITER. Exemplos: a) Foi criado o PACA - (Programa de Assessoria Contábil e Administrativa), apoiado pela CESE e que foi ampliado, mais tarde, com a publicação do BICA - (Boletim Informativo Contábil e Administrativo), que, no 4º Período passou a ser o Informativo da CEDITER. b) A PC-USA (Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos), através da IPU (Igreja Presbiteriana Unida do Brasil), proporcionou a vinda de um casal para trabalhar como assessores da CEDITER, em 1991. Peter e Maria Arroyo Kemmerle (ex-assessores do Movimento Popular na Guatemala e Nicarágua) vieram e se integraram a Equipe Executiva, passando a residir em Ruy Barbosa e deram assistência à Chapada e ao Médio São Francisco até 1995. c) Foram preparados dois Planos Trienais: de 1991-1994 e de 1994-1997 que foram encaminhados às Agências Financiadoras da Alemanha ligadas às Igrejas Evangélicas, por intermédio da CESE. A Agência PPM (Pão Para o Mundo) apoiou financeiramente a realização desses dois Planos que foram desenvolvidos em 4 Regiões: Médio São Francisco, Chapada, Feira de Santana e Recôncavo. No final desse Período, de julho de 1997 a março de 1998, passamos por uma profunda avaliação institucional, com avaliadores internos e externos promovida por PPM, que deu recursos através do Projeto Ponte. Foi também, nesse final de Período que a CEDITER fez um convênio de parceria com a ACF (Associação Cristã Feminina) local e nacional, ligada à YWCA (Young W Christian Association), internacional, para desenvolver o projeto: - "Direitos Humanos e Formação de Liderança de Mulheres Rurais".

4º PERÍODO: 1998 a 2004 - Atuação como ONG.

A CEDITER que sempre teve uma equipe ecumênica resolveu, após longa reflexão e diálogo com o Presbitério do Salvador, transformar-se em ONG (Organização Não Governamental) e não ser, como vinha sendo, uma Comissão de Igreja. A Assembléia que fundou a nova ONG ecumênica, com representantes de lideranças de várias Regiões, reuniu-se no dia 20 de março de 1998, em Feira de Santana e planejou executar o III Plano Trienal apoiado por PPM.
Foram reduzidas as áreas de atuação passando a trabalhar em 5 municípios da Chapada e 5 da Região de Feira de Santana. A CEDITER filiou-se ao CER-Brasil (Compartir Ecumênico de Recursos), ligado ao CONIC (Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil) e ao PAD-Nordeste (Processo de Articulação e Diálogo) e começou a participar em outras linhas de atividades, como do movimento das Escolas Famílias Agrícolas, ligadas à AECOFABA com sede em Riacho de Santana e à REFAISA, passando à defesa da Educação do Campo e à Pedagogia da Alternância.
No final do III Plano Trienal a Equipe Executiva preparou o Plano BIENAL (2001-2002) que contará com a última ajuda financeira de Pão Para o Mundo para a CEDITER. Nesse Plano a redução das áreas de atuação ainda foi maior. Estamos atuando em dois municípios de Feira (Anguera e Candeal) e em dois do Recôncavo (Conceição da Feira e Cabaceiras do Paraguaçu).
Este Plano está marcando o fim de nossa parceria com PPM e uma reorientação da Missão da CEDITER para atuar também na área da Produção, procurando assessorar os pequenos produtores e a Agricultura Familiar.
Atualmente, sediada em Feira de Santana, à rua Juventino Pitombo, 759, Sala 1, Barroquinha, a CEDITER desenvolve as suas atividades nas regiões de Feira e Recôncavo e tem como missão "promover a melhoria das condições de vida dos produtores familiares, qualificando-os para a gestão dos empreendimentos produtivos sustentáveis no interior da Bahia". A partir de 2003 vem desenvolvendo uma experiência de ATER através do Projeto "Criação de Bases para o Desenvolvimento Rural Integrado" no município de Irará visando superar alguns problemas que impedem a melhoria da qualidade de vida dos agricultores (as) familiares, tais como baixa produtividade, pouco aproveitamento dos produtos da mandioca, dificuldade de comercialização, assistência técnica insuficiente, fragilidade das organizações dos produtores para interferir nas políticas públicas e no gerenciamento e planejamento da propriedade.

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